Neste primeiro momento, foram instaladas placas em três pontos: recepção da Prefeitura de Sinop, recepção do Gabinete do Prefeito e recepção da Secretaria de Planejamento Urbano e Habitação. A proposta é que a medida seja implementada, de forma gradativa, em outras secretarias municipais, unidades de saúde, escolas e repartições públicas municipais em geral.
Em Sinop, a iniciativa partiu do psicopedagogo, analista de comportamento e empresário, Everton Ranyery, que sugeriu a implementação na cidade à secretária de Planejamento Urbano, Scheila Pedroso, a partir da Lei Federal. “Lá na clínica a gente trabalha com crianças autistas, nível 3 de suporte. Então, todas as nossas crianças têm necessidades complexas de comunicação, não falam, e utilizamos esse recurso básico para comunicação. Visto o trabalho da Scheila em relação às crianças com autismo, e a partir da Lei Federal, no final do ano eu decidi escrever o projeto e apresentar a ela, mostrando a importância de ter isso, já que os municípios terão que implementar aos poucos”, explicou.
Scheila Pedroso conta que prontamente aderiu à proposta e buscou a articulação interna para viabilização. “A nossa Secretaria, como responsável pelos prédios públicos, está encabeçando essa campanha. O projeto veio a mim por meio do empresário. Estamos fazendo o estudo para os prédios públicos, principalmente com foco na saúde, que é onde a gente tem essa limitação até mesmo do paciente se comunicar com o médico, com quem está atendendo, para dizer onde está sentindo dor. Então isso é muito importante no nosso ambiente, essa acessibilidade”, declarou.
A fonoaudióloga e especialista em CAA e Intervenção ABA para Autismo e Deficiência Intelectual, Isabela Horita, que também trabalha em parceria com Everton, orientou como a placa é utilizada na prática. “Nós temos uma placa, uma prancha de baixa tecnologia, e para cada prancha fazemos um estudo investigativo do lugar. Produzimos as palavras e serviços essenciais mais utilizados no dia a dia, que esse público pode ter dificuldade. Então, por exemplo, ‘eu quero ir ao banheiro’, a pessoa aponta naquele símbolo, gerando uma troca comunicativa. O profissional que está ali recebendo essa pessoa vai sinalizar e responder também”, explicou.
Cada local contará com uma placa personalizada e específica, com ilustrações e elementos referentes ao contexto e aos serviços ofertados naquela repartição pública. “Não é uma comunicação padrão. Cada departamento tem um estudo específico para aquele atendimento. Se for na educação, vai ser voltado totalmente para a educação e pedagogia. Na saúde, totalmente voltado para a saúde”, acrescentou Pedroso.
Em ambientes em que não há um servidor atendendo diretamente, a exemplo de praças e parques, Ranyery explicou que as placas contarão com a inserção de um QR Code, que redireciona para um vídeo orientativo sobre como usar o mecanismo para se comunicar e se expressar.
Horita ainda mencionou que, além de autistas, outros públicos também serão beneficiados com essa medida, a exemplo de pessoas com paralisia cerebral, deficiência intelectual ou doenças neurológicas. “Qualquer pessoa que tenha algum prejuízo na comunicação pode utilizar, não só crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ou uma pessoa que sofreu um AVC e perdeu a fala”, acrescentou.
O prefeito Roberto Dorner convocou mais empresários e a comunidade em geral a seguirem o exemplo de Everton e trazerem ideias positivas para a cidade. “É bom que os empresários venham conversar com a gente e tragam sugestões. As ideias boas a gente tem que implantar, porque o município necessita de um bom trabalho, uma administração saudável, onde também a sociedade tem que se engajar e participar. Essa ideia nós achamos sensacional, porque realmente eles estão fazendo aquilo que é a necessidade do nosso povo”, pontuou.
Paulino Abreu, vice-prefeito, falou sobre o Executivo Municipal fazer o dever de casa no âmbito da acessibilidade. “A Prefeitura, que é um órgão fiscalizador e que cobra acessibilidade nos prédios públicos e privados, agora vem com essa inovação. A gente sabe que, com diversas situações de dificuldade de comunicação e a lei da acessibilidade, precisamos nos adaptar à demanda e à necessidade, para que todo cidadão tenha o direito de chegar ao local público e poder representar o que precisa. A Prefeitura vai fazer esses estudos para ampliar esse atendimento”, relatou.
Representando o Legislativo Municipal, o vereador Célio Garcia parabenizou a iniciativa. “Sem sombra de dúvida, a Câmara é parceira. Nós, que estamos na comunicação há muitos anos, formados em jornalismo, precisamos dar a essas pessoas que infelizmente passam por essa situação a condição de se manifestar, e essa é uma alternativa que vai proporcionar a elas um atendimento melhor nos setores, nos locais onde essas placas serão colocadas. Então quero enaltecer todos que tiveram a ideia, a Scheila, que conversou conosco sobre o assunto, e o prefeito Roberto Dorner, que não mediu esforços para que o sistema fosse adotado pela nossa cidade e que será ampliado em vários locais do município”, disse.
Nilton Padovan, promotor de Justiça, acompanhou a solenidade de lançamento. “Quando algo nos falta, que é do nosso dia a dia, é muito difícil para nós vivermos assim. Imagine para as pessoas que cotidianamente têm dificuldade com a comunicação? Comunicação, para nós, é o nosso dia a dia, a gente nem percebe como ela ocorre. E, para as pessoas que não têm essa possibilidade, quando elas têm a mínima condição de se comunicar, é de arrepiar o quanto a vida delas aumenta em qualidade, em condições de ter uma vida melhor. Então a Prefeitura e todos os envolvidos estão de parabéns. A Promotoria de Justiça da Infância de Sinop espera que esse projeto não fique só nos órgãos que vão começar agora, mas que se estenda pela educação e pela saúde, possibilitando que os autistas de Sinop e todos os demais que têm dificuldade de comunicação possam se comunicar”, concluiu.
Os materiais, doados em formato digital pela Clínica Lego, serão produzidos e instalados pela Prefeitura em demais repartições públicas municipais. Empresas e a iniciativa privada, de modo geral, também são convidadas a adotar a medida, com o objetivo de ampliar e promover a inclusão social em todos os espaços de Sinop.


